Sábado, 31 de Dezembro de 2011

Aqui está ela...

Reportagem sobre Stalking na Visão

Para quem quiser seguir este movimento no Facebook, fica o endereço: http://www.facebook.com/vitimasdestalking
publicado por Vítimas de Stalking às 17:25
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Sou perseguida pela ex-mulher do meu namorado - novo testemunho que chegou ao blog

"Sou perseguida pela ex-mulher do meu namorado há mais de 2 anos.Tem sido muito complicado pois não temos privacidade nenhuma. Ela esta sempre por perto. Como se trata da ex-mulher tem acesso, através das filhas, às chaves dos sítios para onde nos deslocamos. No ano passado apanhei-a (no sótão) da casa onde estávamos a passar o fim-de-semana. Tenho o meu carro riscado. Inventa as histórias que quer sobre mim aos meus vizinhos. Já fiz queixa à PSP, mas o processo foi arquivado, mesmo assim ela continua. Ando sempre a olhar por cima do ombro. Como estou sempre atenta, acabo por a ver mesmo quando ela está mais escondida. Esta pessoa passa horas, mesmo de noite, no carro a vigiar. É uma obsessão. O meu namorado só me pede para não dar importância, mas é muito difícil. Só mesmo quem passa por isto é que sabe verdadeiramente qual é a sensação. É uma enorme falta de privacidade. A nossa vida está completamente exposta."
publicado por Vítimas de Stalking às 00:05
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Porque é utilizada e expressão "stalking", e não uma outra em português?

Várias têm sido as pessoas a levantar esta questão e admito que a mesma não é, de todo, pacífica. A verdade é que a expressão inglesa "stalking" é difícil de traduzir para português, sem perder todo o seu alcance. Expressões como "assédio persistente" ou "perseguição" na prática acabam por ser bastante redutoras. Além disso, a expressão stalking (tal como bullying) é usada nas mais variadas línguas para definir este tipo de crime, que ainda carece, na maioria dos países, de enquadramento legal. Ou seja, como há pouca legislação e como cada país tenderia a usar expressões muito diferenciadas, a palavra stalking acaba por ser muito mais directa e eficaz. Naturalmente, o facto dos EUA terem sido o primeiro país a criminalizar este tipo de comportamento, atribuindo-lhe um nome (stalking), fez com que o mesmo acabasse por ser "importado" em todo o mundo.
publicado por Vítimas de Stalking às 12:51
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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

«Perseguição Doentia» na revista Visão

 

Saiu hoje na revista Visão uma reportagem sobre stalking. Tem o título "perseguição doentia". Participo na mesma dando o meu testemunho pessoal e divulgando este movimento. A minha história é contada numa versão muito, muito curta (por limitações de espaço) mas em breve contarei tudo com mais detalhe online.
Na mesma reportagem podem ainda encontrar o testemunho de algumas figuras públicas que também dão a cara por esta causa: António Manuel Ribeiro, Catarina Furtado e Nuno Markl. Todos relatam episódios incríveis, que deixam bem claro que não existe apenas uma forma de perseguir alguém, mas todas aquelas que a mais doentia imaginação de um stalker for capaz de inventar. Também percebemos que a justiça é mais do que muito lenta para a necessidade destes casos, e pouco eficaz na prática.
Gostava que deixassem aqui ou na página do Facebook os vossos comentários.
publicado por Vítimas de Stalking às 12:40
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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

O comentário de Ana Mesquita

Legislação precisa-se, urgente. De preferência começar a organizar fóruns informativos sobre o tema, sensibilizando a opinião pública e os órgãos de informação para este pesadelo.

publicado por Vítimas de Stalking às 12:07
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«Assédio» por Maria Teresa Horta

 

Poema escrito propositadamente para este blog pela brilhante escritora Maria Teresa Horta, a propósito do tema em discussão. Um muito obrigada a ela, pela sua participação.

ASSÉDIO

Vens
... com as tuas palavras
de ameaça
e a tua presença armadilhada

Com o teu assédio de veneno
e o modo que pões
para ires à caça

Chegas
pé ante pé ou corres tão veloz
que mais pareces ser
uma pantera alada

Enganoso e ávido a dispor da insídia
semeias o caos
a espalhares a desgraça

Tens
de ponta e mola o teu sorriso
onde se esconde voraz
uma navalha

Oculto na sombra
vais inventando a queda
usando comigo a sua torpe malha
publicado por Vítimas de Stalking às 11:20
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Stalking - Medo e Crime Real

publicado por Vítimas de Stalking às 17:00
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Stalking - Medo e Crime real 2

publicado por Vítimas de Stalking às 17:00
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

PORQUÊ CRIAR LEGiSLAÇÃO ESPECÍFICA PARA O STALKING?

Importa referir que atualmente Portugal não dispõe de uma definição legal de stalking, o que já acontece em outros países – a primeira lei surgiu na Califórnia em 1990; na Europa o caso mais recente é a Itália (em 2010). No atual contexto jurídico-legal português, embora não exista uma lei específica antisstalking, é possível enquadrar alguns dos seus comportamentos ou contextos de ocorrência em algumas tipificações criminais existentes.

 

Assim, nos casos em que o perpetrador de stalking é cônjuge, companheiro/a, ex-cônjuge ou ex-companheiro/a da vítima, as suas condutas são passíveis de serem enquadradas no crime de violência doméstica (artigo 152º do Código Penal Português, 2007).

 

É também possível julgar algumas condutas isoladas que poderão integrar o stalking desde que tipifiquem crimes que constam no Código Penal Português (2007), como a ameaça (artigo 153º); a coação (artigo 154º), a violação de domicílio ou perturbação de vida privada (artigo 190º); a devassa da vida privada (artigo 192º) ou as gravações e fotografias ilícitas (artigo 199º).

 

Para além disso, algumas manifestações de stalking no contexto de trabalho estão protegidas pelo artigo 29º do Código do Trabalho (2009) que visa a proibição do assédio. Ainda que esta medida legislativa venha colmatar as necessidades sentidas pelos casos de assédio moral (mobbing) e sexual em contexto de trabalho, este é também um contexto que é considerado como propenso à vitimação por stalking quando perpetrado por um superior, colega, subordinado ou cliente, cujas motivações podem consistir na procura (inapropriada) de uma relação de intimidade ou no desejo de vingança.

 

Ainda assim, não obstante estas possibilidades, este enquadramento legal não é o ideal, na medida em que é omisso o caráter temporal e persistente à campanha de assédio que configura o stalking, figurando apenas interpretações de atos isolados do contexto, e não permite uma efetiva “compreensão” de outros atos incluídos na campanha (menos severos e não criminalizáveis). De facto, em Portugal o stalking não é considerado por si só uma ofensa criminal.

 

No entanto, é possível constituir uma ação judicial nos casos já mencionados em que o contexto relacional e/ou as ações que o integram estão tipificados a nível legal. Apesar disso, muitos episódios de stalking permanecem sem enquadramento do sistema jurídico-penal português, o que é agravado pelo facto de muitas estratégias de assédio constituírem comportamentos relativamente inócuos ou até desejáveis noutros contextos (ex. enviar presentes, telefonar, ou aparecer em locais onde se encontra o alvo) e, portanto, não estabelecem por si só condutas criminais. O stalking caracteriza-se precisamente por um conjunto de ações e não por atos isolados. É justamente pela sua persistência e contexto de ocorrência que os comportamentos de stalking se revestem de um caráter intimidatório. Fonte: GISP

publicado por Vítimas de Stalking às 02:15
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

Leis anti-stalking EUA

publicado por Vítimas de Stalking às 19:38
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Sábado, 3 de Dezembro de 2011

Vou rezar para que o "monstro" não acorde...

Há anos que falo sobre «stalking». E há anos que me perguntam do que estou a falar?! Por mais estranho que pareça, a verdade é que a maioria das pessoas não sabe à primeira a que me refiro quando uso este termo.  Experimente perguntar aos seus amigos e comprove. Vai ver que dizem qualquer coisa do género: "stal quê?" E o que retirar destas reacções que não, simplesmente, o tema ser desconhecido para a generalidade das pessoas, apesar do número de vítimas ser enorme e não parar de aumentar?! O facto da grande parte das vítimas não falar sobre o que lhe aconteceu ou está a acontecer, ajuda a que o tema pareça distante a todos. Por outro lado, muitos daqueles que têm amigos/as que são ou já foram vítimas de stalking, não relacionam imediatamente uma coisa com a outra (e, na maioria dos casos, não têm sequer noção da gravidade da situação em que podem estar envolvidos os seus conhecidos). Daí a importância de alertar para esta questão, mesmo porque nunca está livre de vir a passar por uma coisa destas e, se for o caso, quanto mais cedo identificar aquilo que lhe está a acontecer, melhor, e se nessa altura já conseguir assegurar protecção, do mal, o menos. Maior é a probabilidade de controlar os danos finais. E sim, acreditem que os danos podem ser muitos... e variados. Imagino que se perguntem de onde vem tanto conhecimento de causa sobre stalking, afinal?! Pois bem, eu conto: vem de um ano e meio de perseguição intensiva! Detalhe: no papel da vítima! O que torna tudo mais difícil... E mais assustador também.  Mas sobre essa história falo mais tarde. Queria, primeiro, explicar a razão que me levou a criar este blogue. Na sexta-feira passada, dia 25 de Novembro, foi apresentado o primeiro estudo feito em Portugal sobre Stalking, coordenado pelo departamento de Psicologia da Universidade do Minho. O jornal Público fez uma notícia sobre isso e não tardou muito até que eu recebesse uma versão online da mesma, enviada por alguém que conhecia a minha sensibilidade sobre o tema. Já não é de hoje que falo da importância de se criar legislação específica para assegurar a protecção de quem precisa, e também não é nova, em mim, a ideia de criar algum tipo de entidade que pudesse, realmente, ajudar vítimas de stalking. Mas os problemas eram sempre os mesmos: por um lado, a minha falta de tempo para me dedicar a algo assim; depois, achava que não passaria de  uma voz solitária a defender a criminalização do stalking. O estudo da UM, que veio justamente alertar para a necessidade de regulamentação, e levou a que o governo, através da secretária de estado da Igualdade, Dra. Teresa Morais, demostrasse abertura para discutir o tema e considerar a necessidade de criação de uma lei específica para regular o stalking. Num impulso, liguei para a UM e falei com a orientadora do estudo, Dra. Marlene Matos, com quem partilhei a minha ideia que foi bem recebida, sendo que a mesma não passa apenas pela criação deste blogue como é evidente. Mas lá chegaremos... Foi nesta sucessão de acontecimentos que encontrei a minha janela de oportunidade e percebi, finalmente, que poderia ser mais do que uma simples voz perdida na noite a clamar por uma protecção que tarda, apesar do problema da falta de tempo se manter. Alertaram-me para os perigos que poderiam decorrer pelo facto de dar a cara por este assunto, nomeadamente a possibilidade de "acordar o monstro", isto é, despertar a atenção do stalker que me perseguia, agora que tudo parece calmo. De um modo nada leviano, senti, em consciência, que, ainda assim, era o certo a fazer. Ninguém tem o direito de perseguir outra pessoa contra a sua vontade. Ninguém tem o direito de provocar o medo a alguém. Ninguém tem o direito de tentar destruir de forma estrutural a vida de outro ser humano. E também não há direito a que as vítimas continuem a sentir-se impotentes perante tal agressão, tão forte e tão violenta. Neste momento, na prática, não há nada que se possa fazer legalmente para parar um stalker, a não ser enfiar a cabeça na areia e esperar que o tempo passe e se esqueçam de nós. Se tentar o mais óbvio, apresentar queixa na polícia, depressa vai perceber que não serve de nada, a menos que tenha sido fisicamente agredido e tenha como provar. Pelo contrário, vai provocar ainda mais a ira do stalker, e isso é tudo o que a vítima não quer. Apoio psicológico ajuda, mas não resolve o problema de base. Tudo o resto, é uma perda de tempo, garanto-vos! Já todos perceberam que há um longo caminho a percorrer, mas espero que a criação deste blog represente mais um passo em frente nessa direcção...

publicado por Vítimas de Stalking às 00:47
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

Os Homens são Doidos? As Mulheres Também! - a experiência de Pedro

A ideia que todos temos é a de que os homens estão sempre prontos para o sexo, que deixam o tampo da sanita para cima e andam atrás das mulheres. Faz parte do imaginário colectivo. É a mesma coisa quando se fala de violência doméstica: pensamos logo num homem a bater numa mulher. Deve ser por isso que o filme “Atracção Fatal”, que inverte esta lógica que, na verdade, é apenas uma ideia feita, foi o sucesso que foi. A minha história é igual a de muitos: namorei, fiz asneiras, não fui cavalheiro muitas vezes (ou quando deveria ter sido), fui sacana e bonzinho e só levei poucas namoradas a conhecer a minha mãe. Sim, nesse aspecto sou um homem à antiga: mãe é mãe. O que importa este preâmbulo? Importa no sentido em que a minha vida se virou ao contrário quando me “enrolei” com uma mulher casada. Pior ainda: alguém que trabalhava comigo. No princípio era só doçura e sedução, sexo muito arriscado, no elevador, nas casas de banho e tudo isso preenchia, eventualmente, uma fantasia qualquer que, sem o saber, me agradava. Tudo isto foi perfeito durante um mês. Ao fim de um mês, digamos que o caldo se entornou. A minha amante de escritório estava preparada para deixar o marido. Para fazer de mim o homem mais feliz do mundo. Para passar a consoada – dali a 15 dias – com a minha família. A ter filhos e comprar um cão de uma raça qualquer para compor o retrato. Pode parecer ironia, mas não é. Fiquei siderado. Não estava apaixonado, nunca estive. Nunca lhe disse que a amava e, portanto, a seguir a um almoço e a ser confrontado com todas estas ideias brilhantes, fui honesto e disse que estava a ir depressa demais, que era casada, os casamentos não se terminam assim, que eu não estava preparado. Conforme fui vendo a reacção dela, fui suavizando o discurso, disse que a culpa era, obviamente, minha, eu é que sofro de imaturidade, já um amigo mo tinha dito e a minha mãe mo repetiu várias vezes. Enfim, joguei todas as cartas de bom senso que tinha ou julgava ter. Ela não abriu boca. Voltámos para o escritório, um espaço com divisórias de qualidade duvidosa, e aí começou o meu inferno. Mensagens internas com conhecimento para todos os nossos colegas. Eu tinha feito promessas que agora não queria cumprir, ela era uma pessoa íntegra que tinha posto o casamento em causa à conta das ditas promessas. Eu tinha manias que as pessoas não imaginavam. Em segundos, todos os meus colegas passaram a ter de mim uma ideia completamente distinta. E descobri, de imediato, que a acusação de assédio tinha sido virada contra mim. Admito que não é bonito uma pessoa enrolar-se com alguém que está comprometido, tudo bem. Mas quem fez os primeiros avanços foi ela e, depois de a ter tentado dissuadir de uma vida a dois que não conseguia sequer imaginar, ela decidira expor-me perante os meus colegas e chefes ao mesmo tempo que me mandava sms a cada cinco minutos com sucessivos insultos. Pensei que a coisa ia durar 24 horas. Tentei ignorar. Não. A senhora decidiu esperar-me à porta de casa. Continuou a mandar sms. Mandou novos emails com conhecimento para todos descrevendo as minhas reacções durante os nossos encontros. Conclusão? Eu era, peço desculpa pela expressão, um filho da puta. Os meus colegas já nem me olhavam nos olhos e comecei a ver que encolhia, que estava no deserto. Tentei falar com ela através do telemóvel. Não me atendeu. Mais tarde percebi porquê. Andou a mostrar a meia dúzia de pessoas a minha chamada não atendida, dizendo que era a milésima ou coisa que o valha. Quem é que não ia acreditar nela? O preconceito está estabelecido: as mulheres não fazem assédio, só podia ser eu. Para cúmulo, a senhora descobriu o número de telefone da minha mãe e ligou-lhe dizendo que estava destroçada, que tinha terminado o casamento por minha causa (nunca o fez e até hoje suspeito que o marido não sabe com quem vive) e chorou as lágrimas que iriam comover qualquer um. Em especial a minha mãe que, conservadora e de direita, achou tudo um descabimento incrível e chamou-me como se eu tivesse nove anos  de idade e não 35. Ouvi e ouvi e, no fim, tentei explicar a situação. Abri o meu computador portátil, mostrei os emails à minha mãe e expliquei tudo sem evitar qualquer pormenor, mesmo sendo ela minha mãe e uma senhora. Ouviu-me em silêncio e, no fim, suspirou: Filho, tens aí uma mulher doida. O que vais fazer? Falei com um amigo de infância, advogado. Descobri que não há legislação para estes casos. Garantiu-me que a senhora precisava de acompanhamento psiquiátrico de certeza e que o melhor que tinha a fazer era ir, de imediato, à direcção da empresa onde trabalhava para esclarecer o assunto. Não fiz nada disso, estava convencido que com o Natal tão próximo tudo acalmaria. Na noite da consoada recebi mais de 90 mensagens. Guardei-as todas. Meti uns dias de férias. Mudei o número de telemóvel. Estava completamente transtornado e a pensar que ela ia aparecer a qualquer momento. No dia 2 de Janeiro voltei ao trabalho.  O meu chefe chamou-me, fechou a porta do gabinete envidraçado e disse que a senhora tinha feito uma queixa de assédio e que eu estava em maus lençóis. Aí não me contive e contei tudo, mostrei as mensagens da véspera de natal, falei dos emails com conhecimento aberto para todas as pessoas da empresa e disse que não me importava de confrontar a senhora na presença de um advogado e com o marido da mesma, eu próprio me encarregaria de o chamar. O meu chefe, ligeiramente mais velho do que eu, encarou-me com algum espanto, mas vendo tanta convicção da minha parte, anuiu. Chamou a senhora, eu mantive-me sentado. Tive medo, não me envergonho de dizer, achava que ela se podia transformar num bicho de repente. Ela chegou com ar de vitória que até dava vontade de lhe bater. Tentei não olhar. O nosso chefe disse que só havia duas soluções, a primeira seria chamar advogados e o marido dela e mostrar os emails e as sms que ela me enviara e eu guardara ou ela desistir da acusação e ser mudada de departamento. Nesse instante, não sei porquê, mas sentindo que estava a sufocar, levantei-me e disse que não era preciso mandar a senhora embora. Eu é que ia. Ficaram os dois a olhar para mim com surpresa. Sai da sala e disse alto e bom som para todos ouvirem: o próximo que for vítima desta senhora faça o favor de guardar as mensagens, os emails e ir a polícia. Se alguém é amigo dela, por favor, levem-na ao médico. Eu vou-me embora. Estive dois meses desempregado. Deixei Coimbra e vim para Lisboa. Mudei as contas e passwords de contas de email e não adiro a redes sociais. Os homens são doidos? As mulheres são iguais. Acho que a questão do assédio não tem género. Nota: Este testemunho foi recolhido por Patrícia Reis, escritora e editora da revista Egoísta
publicado por Vítimas de Stalking às 18:45
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

"A sua vida não é uma vida, é um desperdício" - a história de Marta

Tive uma vida complicada. Os meus pais não foram exemplares e a minha família, como tantas outras, era disfuncional e desordenada, com muita hostilidade pelo meio. Cresci sempre no medo. Quando arranjei o primeiro namorado foi como um refúgio. Tinha 17 anos. Namorámos oito anos. Aturei coisas do meu namorado que, agora, sei terem sido erradas. Não podia vestir determinada roupa. Deixei de ter amigas, ele não deixava. Não podia ver certas coisas na televisão. Estava condicionada. Presa e censurada a tempo inteiro. Ele tem mais cinco anos que eu. A primeira vez que me bateu namorávamos há um ano e pouco. Fartou-se de chorar e pedir desculpa. Não vou relatar os restantes incidentes porque só me humilham e comprovam a idiota que fui durante tanto tempo. Quando chegámos ao auge do poder que tinha sobre mim e ao medo que eu tinha dele, fui abordada por uma mulher num café. Disse-me: ninguém com a sua idade merece ser infeliz e essas nódoas negras não são de acidentes. Já aí esteve. Se não sair dessa relação a sua vida não é uma vida, é um desperdício e será uma inválida afectiva para o resto da vida. Nem queria acreditar que a minha realidade estivesse assim tão transparente. Ou talvez aquela mulher tivesse sido o meu anjo da guarda. Não sei. Perguntei a uma amiga se podia mudar-me para casa dela, tinha um quarto a mais, estava aflita com as contas do mês e sempre era uma ajuda, eu podia pagar uma renda. Ela concordou de imediato e, às escondidas, durante a tarde, faltando ambas ao emprego, mudámos as poucas coisas que eu tinha. O meu namorado, companheiro ou carrasco, como quiserem, não achou graça nenhuma a este gesto de libertação. Não gostou de ser confrontado com uma carta em que lhe dizia que não era feliz e que ele não podia ser feliz com alguém como eu e, por isso, decidira sair de casa. No entendimento dele, eu não tenho capacidade de tomar decisões, sejam elas de que ordem forem. Posso imaginar o momento em que leu a carta, mas pouco importa. No dia seguinte estava à porta da loja onde trabalho e ali esteve as oito horas do meu turno. Nem comi, nem fui à casa de banho. Para sair da loja a minha colega teve a ideia que o melhor seria chamar o segurança e assim fiz. O segurança foi simpático levou-me até ao metro. Como é maior que o meu ex namorado, ele deixou-se ficar para trás e quando tentou entrar no mesmo metro, o segurança agarrou-o pelo braço. Não sei o que lhe disse, mas no dia seguinte ele não estava em frente à loja. Começou então outra forma de me torturar. Telefonava para a loja, para o meu telemóvel (que acabei por substituir) e ficava em silêncio. Percebi que se estava a masturbar enquanto eu lhe dizia: Acabou, não faças isto, deixa-me ir, não te canses comigo, há aí melhores que eu. Foi horrível. A única coisa boa nesta história é que ele desconhecia por completo os amigos e amigas que mantive às escondidas e, por isso, não sabia onde me procurar. Os meus pais não eram nenhuma ajuda, não temos relação. Nem nas festas ou aniversários. É como se não existissem. Dois meses depois da separação, dos telefonemas e da cena no metropolitano, vi-o na rua. As minhas pernas tremeram tanto que tive de me agarrar à parede de um prédio. Estava pronta até para fazer nas calças, nunca tanto medo de alguém. Ele sorriu e, em vez de vir ter comigo, aos gritos ou com o punho no ar, vi-o olhar para dentro de um café e percebi: estava outra desgraçada no meu lugar. Enchi-me de coragem e fui directa aos dois. Olhei para ele com o maior desprezo que consegui e depois olhei para rapariga, já com o terror na cara e disse-lhe: aviso já que está um polícia naquela esquina, por isso, nada de cenas. Olha, já namorei este tipo ou te livras dele agora ou vais ter uma vida desgraçada. Posso garantir-te. Ele puxou-a e seguiram rua acima, eu vomitei o almoço mesmo ali. Nota: esta entrevista foi recolhida por Patrícia Reis, escritora e editora da revista Egoísta

publicado por Vítimas de Stalking às 19:01
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Sobreviver a uma relação abusiva

Sobreviver a uma relação abusiva.

 

 

publicado por Vítimas de Stalking às 09:43
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