Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

O que é este blog?

Para quem chegou agora ao blog, explico muito rapidamente que o objectivo do mesmo passa por, antes de mais, informar a população em geral sobre o que é o stalking, consciencializar as pessoas sobre a sua gravidade e fazer pressão sobre os orgãos legislativos para que regulamentem esta matéria. No blog podem partilhar as vossas ideias sobre o tema, bem como testemunhos pessoais, histórias de amigos/as que tenham passado pelo mesmo, vídeos a propósito do tema, etc. No início do próximo ano será feita a aproximação ao Governo (Séc. Estado da Igualdade), acompanhada de um dossier com opiniões diversas de especialistas sobre o tema. Neste momento, as vítimas de stalking sentem-se totalmente impotentes, já que não existe a possibilidade de uma defesa eficaz junto das entidades legais, a menos que tenha existido uma agressão física por parte do stalker e existam testemunhas. Qualquer um de vocês pode, de um momento para o outro, ser vítima de stalking. Uma agressão não voluntária que não teriam como controlar e que, pelo stress, medo e ansiedade que provoca (já não falando dos potenciais danos materiais) pode arruinar a vida de qualquer um ou, pelo menos, a sua saúde mental. Participe neste movimento e divulgue-o.

publicado por Vítimas de Stalking às 22:55
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26 comentários:
De não interessa a 28 de Dezembro de 2011 às 18:09
já agora, e para 1º post, que tal elucidar o que é mesmo o "stalking"? porque penso que a maioria das pessoas, eventualmente as próprias vítimas, não sabem a que é que o termo se refere.

(viam aqui parar via Radar do Sapo)
De Vítimas de Stalking a 28 de Dezembro de 2011 às 18:58
Achei curioso o seu comentário, porque o post cuja publicação sugere foi precisamente um dos primeiros a ser postado neste blog. Achei que seria fundamental, antes de mais, esclarecer o público sobre a definição da palavra stalking. Pode encontrar o dito post no mês de Novembro. Obrigada pelo seu comentário.
De NUK a 28 de Dezembro de 2011 às 19:39
Porquê usar a palavra "stalking" e não a palavra "perseguição" ou a palavra "assédio"? Percebo o uso duma palavra estrangeira quando não existe uma palavra portuguesa que a possa substituir, mas neste caso isso não acontece.
De Vítimas de Stalking a 29 de Dezembro de 2011 às 02:18
Apesar da questão que levanta não ser totalmente pacífica, a verdade é que a expressão inglesa "stalking" é difícil de traduzir para português, sem perder todo o seu alcance. Expressões como "assédio persistente" ou "perseguição" na prática acabam por ser bastante redutoras. Além disso, a expressão stalking (tal como bullying) é usada nas mais variadas línguas para definir este tipo de crime, que ainda carece, na maioria dos países, de enquadramento legal. Ou seja, como há pouca legislação e como cada país tenderia a usar expressões muito diferenciadas, a palavra stalking acaba por ser muito mais directa e eficaz. Naturalmente, o facto dos EUA terem sido o primeiro país a criminalizar este tipo de comportamento, atribuindo-lhe um nome (stalking), fez com que o mesmo acabasse por ser "importado" em todo o mundo.
De Jorge Soares a 29 de Dezembro de 2011 às 09:30
Olá

Acabo de cá chegar via destaque do SAPO, à primeira vista é difícil entender de que se trata, concordo que o tema é de difícil tradução, mas faz falta uma referência em português mais não seja no texto da descrição do Blog, porque Stalking dirá muito pouco ou nada à maioria e muito poucos irão ao inicio do blog ler o post em que se explica do que se trata.

É claro que o tema é pertinente e blogs como este nunca estão demais.

bem haja para si e para o blog.

Jorge Soares
De Vítimas de Stalking a 29 de Dezembro de 2011 às 12:55
Apesar da questão que levanta não ser totalmente pacífica, a verdade é que a expressão inglesa "stalking" é difícil de traduzir para português, sem perder todo o seu alcance. Expressões como "assédio persistente" ou "perseguição" na prática acabam por ser bastante redutoras. Além disso, a expressão stalking (tal como bullying) é usada nas mais variadas línguas para definir este tipo de crime, que ainda carece, na maioria dos países, de enquadramento legal. Ou seja, como há pouca legislação e como cada país tenderia a usar expressões muito diferenciadas, a palavra stalking acaba por ser muito mais directa e eficaz. Naturalmente, o facto dos EUA terem sido o primeiro país a criminalizar este tipo de comportamento, atribuindo-lhe um nome (stalking), fez com que o mesmo acabasse por ser "importado" em todo o mundo
De Lux a 30 de Dezembro de 2011 às 08:37
Bom, tenho que, em primeiro lugar, admitir que a ideia de um blog sobre este tema é louvável , no entanto, permita-me a observação, para quem pretende chegar a um alvo de pessoas que necessitam de ajuda nestes termos, talvez o anglicanismo não seja, de todo, a melhor forma de o fazer.
Uma pessoa informada e que, por consequência saiba o que significa ser vítima de stalking , conhecerá também os meios legais de defesa em termos de autotutela e aquilo que pode ou não fazer para se proteger (muito pouco, é verdade!).
Mas para pessoas mais leigas, as que realmente precisarão de ajuda, talvez se sintam perdidas e não cheguem a perceber o objectivo deste blog.
A grande questão que se levanta com determinadas "perseguições" é a falta de meio de prova das mesmas e, na maioria dos casos, não imagino como o mesmo possa ser provado para além da prova testemunhal.
Concordo que não existe legislação suficiente nestes termos mas provavelmente só porque também não existe a tal forma de prova, logo, a heterotutela pouco poderá fazer a esse respeito.
Vou seguir o blog afim de verificar a maioria das dúvidas expostas e tentar perceber se realmente existiria forma de proteger a vítima em determinadas circunstâncias.

Lux
De Vítimas de Stalking a 30 de Dezembro de 2011 às 12:44
Antes de mais, obrigada pelo seu comentário. Começo por responder à sua questão sobre a utilização de um anglicanismo. De facto, várias têm sido as pessoas a levantar esta questão e, admito, que a mesma não é, de todo, pacífica. A verdade é que a expressão inglesa "stalking" é difícil de traduzir para português, sem perder todo o seu alcance. Expressões como "assédio persistente" ou "perseguição" na prática acabam por ser bastante redutoras. Além disso..., a expressão stalking (tal como bullying) é usada nas mais variadas línguas para definir este tipo de crime, que ainda carece, na maioria dos países, de enquadramento legal. Ou seja, como há pouca legislação e como cada país tenderia a usar expressões muito diferenciadas, a palavra stalking acaba por ser muito mais directa e eficaz. Naturalmente, o facto dos EUA terem sido o primeiro país a criminalizar este tipo de comportamento, atribuindo-lhe um nome (stalking), fez com que o mesmo acabasse por ser "importado" em todo o mundo.

Quando parte do princípio que uma pessoa informada conhecerá, em princípio, os meios de defesa legais mais adequados a estes casos, tenho de discordar consigo. Mesmo porque a legislação existente não foi feita a pensar neste tipo de crime que pode assumir formas tão diversas. Se ler, por exemplo, algumas das histórias publicadas neste blog vai notar que existem algumas formas persecutórias comuns a alguns dos stalkers, mas que depois a criativadade de cada um deles os pode levar a lugares impensáveis, em nada abrangidos pela legislação vigente.

Repare que o stalking se caracteriza justamente por um conjunto de actos persecutórios variados que se prolongam no tempo contra a vontade da vítima. Muitos destes actos não são, por si só, considerados crimes. Por exemplo, enviar sms ou estar à porta de casa de alguém ou mesmo enviar presentes não é proibido, mesmo porque, normalmente, são comportamentos considerados desejáveis. Daí ser tão difícil actuar nestes casos, porque aqui o faz a diferença é o caracter temporal destes comportamentos, bem como a insistência dos mesmos. Isto é, mesmo que consiga fazer prova (já que nestes casos em particular é relativamente simples fazer prova documental ou testemunhal), o problema é considerarem que as mesmas revelam um comportamento criminoso.

Para além disto, mesmo nos casos em que, de facto, se consegue demonstrar que comportamentos são criminosos não é certo que a justiça consiga actuar de forma eficaz a proteger a vítima. Veja o caso do António Manuel Ribeiro (vocalista dos UHF) que é vítima há 6 anos de uma história de stalking. Só conseguiu levar o caso a tribunal dois anos depois da perseguição ter começado, e entretanto já se passaram mais quatro, sempre nos tribunais. Acabaram por lhe dar razão e vai finalmente transitar em julgado a sentença que vai fazer jurisprudência. Trata-se do primeiro caso em Portugal que depois de chegar aos tribunais consegue este feito. Mas foram precisos todos estes anos, e ao longo dos mesmos a pessoa que o perseguia recebeu ordens de restrição por parte do tribunal que não respeitou, continuou as suas perseguições e nada aconteceu até agora porque a policia acaba por não actuar, mesmo quando existem restrições legais.

Isto faz com que a questão do stalking vá muito para além da legislação em si. Uma legislação adequada será apenas um primeiro passo, mas não o todo necessário. A rapidez na aplicação da lei e a garantia do seu cumprimento serão fundamentais. Não se esqueça que, dependendo de perfil, há muitos stalkers que podem ser letais e, nestes casos, a lentidão da justiça ou a falta de aplicação da mesma poderá revelar-se fatal para a vítima. É esta a grande questão.

Mas se quiser perceber melhor esta questão legislativa, bem como as dificuldades existentes em Portugal em relação à mesma poderá encontrar informação muito mais completa aqui no blog no post com o nome «Porquê criar legislação específica para o Stalking?».
De Vanessa a 7 de Janeiro de 2012 às 03:01
Cara Maria João Costa
Há uma parte de mim que sente alívio ao encontrar este blog; a outra parte, porém, está inquieta porque desde há uma semana que faz buscar sobre stalking online. Estou neste momento a viver uma situação em que sou perseguida na Internet e o agressor enche-me a caixa de correio diariamente; a pessoa estuda na escola onde estou a trabalhar, desenvolveu a fantasia de que é amado por mim, que somos íntimos. Abordou-me com o que pareceu ser uma conversa inofensiva e quando o rejeitei passou a escrever-me diariamente mensagens desconexas, a combinar encontros (marcando hora e local. Aos quais não compareci.), entregando prendas a terceiros (que recusei levantar/receber). Esta situação dura há quatro meses e só esta semana, ao encontrar e ler as informações do site do Grupo de Investigação sobre Stalking em Portugal, é que percebi que o perfil do agressor se enquadra nas categorias descritas; que estou a ser vítima de stalking.
Estou a reunir provas para apresentar queixa na PSP, isto se aceitarem a formalização dessa queixa: a perseguição e intimidação na Internet parecem práticas impunes. Todas as iniciativas no sentido de reconhecer agressões e abusos (tomem eles que forma tomarem) como algo que pode e deve ser punido, tem o meu aplauso e apoio. Bom trabalho.












De Vítimas de Stalking a 8 de Janeiro de 2012 às 03:27
Olá Vanessa. Obrigada pelo seu comentário. De facto, o básico a fazer em situações destas é acumular provas e testemunhas. Sem isso não vale a pena apresentar queixa. De qualquer modo, é importante analisar o perfil do seu stalker, porque em alguns casos a queixa na polícia pode representar um elemento dissuador que faz o stalker parar ou abrandar; mas há casos, porém, em que apresentar uma queixa pode deixar um stalker ainda mais vingativo. Mas vá seguindo o blog porque ando a reunir informação sobre o que se pode fazer nesses casos e ando a reunir a opinião de juristas especializados para que as vítimas possam receber uma orientação mínima.
De Vítimas de Stalking a 8 de Fevereiro de 2012 às 03:07
Olá Vanessa. Como andam as coisas com o seu caso?
De MFM a 7 de Janeiro de 2012 às 16:46
Reparei neste blog através do site da sapo, e como ja passei por isto , identifico-me muito com este blog.. Já lá vai algum tempo mas são feridas que nunca passam e ficam sempre permanentes... E momentos que nunca se esquecem , por muito que se tente ultrapassar e tentar esquecer é impossível.. Acho que me separei a tempo da pessoa em questão, senão não sei o que seria de mim a está hora..

Gostaria de saber para onde posso contar a minha história se for possível..

Cumprimentos
De Vítimas de Stalking a 8 de Janeiro de 2012 às 03:28
Olá MFM. Se quiser, pode enviar a sua história para o meu email: mjoaocosta@hotmail.com
De Vítimas de Stalking a 8 de Fevereiro de 2012 às 03:05
Olá. Não sei se lhe cheguei a responder. Se quiser contar a sua historia escreva-me para mjoaocosta@hotmail.com
Beijinho
De ser-feliz a 6 de Fevereiro de 2012 às 17:26
Olá Boa Tarde,
Gostei de a ver na televisão, esta tarde.
Eu também fui vitima de perseguição por parte do meu ex-marido, ao ponto de um dia resolver ir fazer queixa à GNR.
Uns dias depois fui brutalmente agredida à porta da minha casa. Fiquei 3 semanas de cama...
Fui mostrar-me à GNR e encaminharam a queixa para o Tribunal.
Andei 3 anos à espera para o desfecho mais louco que poderia ter acontecido. Para além de ser obrigada a desistir da queixa ainda tive que ir entregar uma contribuição aos Bombeiros, coisa que até hoje não sei porque aconteceu.
Mas enfim.
As perseguições continuam. Agora sob mensagens para as minhas filhas que dizem que têm vontade de matar o pai.
É muito triste, estas figurinhas que não sabem perder e aproveitam o resto da vida para viver a fazer mal aos outros.
Eu refiz a minha vida e sou muito feliz.
E desejo o mesmo para ele, pois assim podia ser que se esquecesse de mim...
Mas pelos vistos a sua vida não correu como ele queria e o seu maior divertimento é mesmo atormentar-nos.
Fazemos da indiferença o nosso escudo protector.
E assim vamos vivendo.
Obrigada por me deixar partilhar esta minha história.
Até um dia.
De Vítimas de Stalking a 8 de Fevereiro de 2012 às 03:04
Porque é que teve de desistir da queixa?
De ser-feliz a 8 de Fevereiro de 2012 às 18:13
Olá, boa tarde,
Tive que desistir da queixa, porque depois de varias ameças, processos em tribunal sempre contra mim, postos pelo meu ex-marido, ele disse-me atraves do meu advogado, que se eu desistisse da queixa contra ele, ele desistia das queixas contra mim (completamente infundadas).
Mas o cansaço ja era tanto, o desespero dos meus pais era tanto, a minha tristeza e o meu medo de andar na rua e que me acontecesse algo a mim ou às minhas filhas, que acedi.
E depois já não era viável monetáriamente continuar...
Foi por isso que desisti.
Enfim, nesse ponto fui fraca, mas achei que era o melhor para a nossa sanidade mental.
Enfim, se calhar não foi a melhor opção, mas...
De Carla a 6 de Fevereiro de 2012 às 18:42
Olá!
Acabei de ver na Tv " A tarde é Sua", a Maria João a falar sobre este assunto e como já passei por isto, resolvi vir à net pesquisar e encontrei o seu blog.
Gostava de contar aqui a minha história, até porque há determinados comportamentos que nos podem alertar para uma futura obsessão.
Comecei a namorar aos 19 anos com um rapaz de 25 anos, que já conhecia de vista, porque morava na minha zona. Nessa altura não tinha telemóvel e por isso combinávamos sempre horas e sitio para nos encontrarmos no dia seguinte, e nunca lhe dei o nr de casa, porque ainda era um namoro recente e os meus pais não precisavam de saber :), mas qual a minha surpresa quando passada cerca de uma semana de namoro recebo um telefonema no telefone fixo, era ele!... tinha conseguido o nr. através de conhecidos comuns dele e meu irmão. Achei estranho, tanto trabalho para ter o meu nr, mas pensei que talvez fosse uma demonstração de que gostava de mim. Depois seguiu-se 5 longos anos de ciumes doentios. No inicio achei-o apenas um pouco absorvente, porque queria estar sempre comigo, mas lá está, sempre a pensar que era porque gostava de mim. Mas acabei por afastar-me dos meus amigos todos. Passado cerca de 1 ano comecei a perceber que aquilo era demais, tinha ciumes de tudo, amigos, amigas, colegas de escola e e até da minha gata! Ele conseguia fazer um autentico filme de Hollywood, apenas por um rapaz na rua olhar de maneira diferente para mim. O simples facto de demorar 8minutos da minha casa à dele, em vez dos 5minutos habituais, era logo porque encontrei alguém e queria saber quem, etc. Até que eu já não aguentava mais e as discussões começaram a acabar com alguma agressão física de parte a parte.
Estas discussões começaram por ser uma por mês, depois uma de 15 em 15 dias depois uma por semana, até que começou a ser dia sim, dia não.
Durante este tempo todo, eu estava constantemente a terminar o namoro e a tentar levar a minha vida normal, mas ele jurava que mudava e eu voltava para ele. Ele mudava durante uns tempos mas depois tudo voltava ao mesmo.
Passados 5anos, resolvi acabar de vez e só saia de casa para ir para a faculdade, não lhe atendia telefonemas, não respondia a mensagens nem e-mails. E nas mensagens e e-mails começaram as ameaças, de que se eu não era dele, não seria de mais ninguém e que me ia fazer a vida num inferno, bem como à minha família e amigos, etc. Começou a perseguir-me, embora ele não tivesse carro (felizmente), chegou a aparecer na minha faculdade para me humilhar, num estagio que entretanto fiz, ligava a dizer mal de mim e a tentar estragar-me o estágio, chegou a atravessar-se à frente do meu carro para eu o atropelar, ligou-me da estação de comboios, com o barulho de um comboio a apitar, a dizer que estava na linha do comboio e se ia matar e que a culpa seria minha, entre muitas outras coisas.
Achei que ele ia conformar-se e acabaria por me deixar em paz, mas não. Como ele não me conseguia contactar, resolveu ir a casa dos meus pais e começou a ofender-me à frente do meu pai, claro que o meu pai que até gostava dele "passou-se" e com medo que ele fizesse mal ao meu pai, chamei a policia. A partir dai, apresentei queixa na policia e apresentei todas as provas das ameaças e testemunhas de algumas situações. Mas entretanto perguntei na PSP, se caso fossemos mesmo a tribunal qual seria o desfecho, e eles disseram que não devia dar em nada, uma vez que e-mails e mensagens podem ser manipulados e que dificilmente seriam provas e que as testemunhas, sendo meus familiares e amigos, não ajudavam muito. Fiquei muito ansiosa e resolvi então tentar chegar a um acordo com ele, disse-lhe que tinha um advogado (tudo mentira) e que ele me tinha dito que se fossemos com o processo para a frente, ele seria condenado a prisão efectiva, uma vez que eu tinha provas e testemunhas muito fortes, e que eu não queria assim tanto mal a ele, que queria o bem dele, mas que ele ficasse longe de mim, e que se ele deixasse de me tentar contactar durante 1mês, eu retiraria a queixa. Não conseguiu logo ficar tanto tempo sem dizer nada, mas depois lá encontrou outra infeliz e deixou-me em paz.
Tudo o que sejam comportamentos excessivos, é de desconfiar. Amor não é obsessão.
De Vítimas de Stalking a 8 de Fevereiro de 2012 às 03:03
Carla, ainda n tinha tido tempo para lhe responder. Percebo lindamente aquilo por que passou e acho que agiu da forma correcta. Em alguns casos, e especialmente em algumas idades, a intimidação resulta. Foi o seu caso. Já tive uma história de ciúmes obsessivos quando tinha essa idade e é muito difícil lidar com a situação. Imagino que hoje em dia, assim como eu, seja alérgica a qq tipo de cena de ciúmes. :) acho que o segredo passa por aprender a ler os sinais, que estão sempre lá. Nós é que não os queremos ver. O nosso instinto é mais poderoso do que pensamos; devíamos confiar mais nele.

De Carmo a 12 de Março de 2012 às 17:21
Olá Boa Tarde
Também eu estou a ser vítima de stalking há 1 ano. Neste momento começo a achar que não vale a pena lutas, fazer, queixas, procurar instituições de ajuda porque comigo nada parece resultar. Apenas deixo umas questões que serão talvez a ponta do iceberg: e quando a intimidação não resulta? e quando o stalker é um agente da GNR? e quando o stalker aluga uma casa que se situa a 20 metros da minha? alguém saberá dizer-me qual o passo que devo dar? a força começa a faltar e a capacidade de raciocínio também.....
De Rute Santos a 28 de Fevereiro de 2012 às 12:20
Foi por via da Prova Oral, da Antena3 , que soube deste blog e fiquei feliz por saber que se luta para se legislar sobre o temível assunto que é ser-se vítima de stalking.
Queria contar a minha história: tinha 17 anos e estava no 11ºano. Houve um sujeito que se aproximou de mim e tornamo-nos amigos. Sentia que ele queria mais do que isso e deixe-o aproximar-se. Sem dar conta tinha um namorado que reunia todos os defeitos do mundo e nenhuma qualidade. Porque é que eu estava com ele? Decidi acabar tudo, eu era miserável. Ele seguia-me de carro... Via-o a rondar amigas, a seduzi-las, sentia pena delas porque ele não era o que aparentava pois desde que tinha terminado com ele, ele ameaçava contar o meu temível segredo: tinha sido violada por um ex-namorado.
Na altura via isso com pavor pois tinha vergonha e sentia-me culpada por ter sido violada. Queria que ele estivesse calado, foi isso que me manteve ao lado dele durante tanto tempo. Agora separados, não me sentia menos segura pois senti-a a fúria dele a subir, por não ter a minha atenção ou a de outras raparigas pois estas estavam, aos poucos, a tomar consciência do ser pequeno, abusador, controlador, doentio, mentiroso e sociopata que ele era.
Num dia de chuva, pediu-me que me encontrasse com ele ao pé do café, fora da escola, para falar comigo porque se sentia culpado. A conversa era outra, queria-me de volta, ao que eu neguei prontamente, com respostas curtas de apenas poucas palavras e muito pouca paciência. Tinha medo daquela situação, queria sair dali pois estava numa posição sensível, se ele quisesse podia fazer-me mal pois no sítio onde estávamos, não havia gente alguma e as condições atmosféricas estavam a causar má visibilidade.
Enchi-me de forças e vire-lhe costas depois de sentir que não tinha mais nada a dizer. Cheio de raiva, ele entra no carro dele e faz marcha atrás com muita velocidade e muito ruído. Para regressar à escola bastava-me passar por entre dois prédios e seguir pela passadeira, já ele tinha de dar a volta, isso dava-me mais tempo, contudo tive de correr como nunca pois ouvia o carro dele a rugir, a perseguir-me. Mal meti os pés no vão de escadas da escola senti o carro dele a passar por de trás de mim. Tinha escapado.
Fui em direcção ao bar da escola, sabia-o como local onde está sempre alguém, nem que seja mesmo uma funcionária, queria estar perto de alguém que me socorresse caso precisasse. Uma vez lá, encontrei amigos sentados á mesa. Aproximei-me, a tremer e quis lhes relatar o sucedido mas não consegui dizer três palavras sem desatar a rir. Ri, dei gargalhadas sem parar, parecia doida e estava nitidamente fora de mim. Era ansiedade. Sentia-me nervosa, com medo mas ao mesmo tempo livre. Ria, ria ria mas queria pedir-lhes ajuda.
Momentos depois ele aparece, esbafurido, no bar e vem ter connosco, chega-se ao pé de mim e grita-me barbaridades tresloucadas e sem nexo, tenta derrubar a cadeira onde me encontro sentada esperando por-me no chão. Dois colegas meus prontificam-se a acalma-lo e ele sai.
Contei tudo aos meus amigos.

Semanas mais tarde, recebemos mails de um suposto casal de amigos(que ele criou), dizendo que este se encontra deprimido. Tratava-se de uma suposta médica e um suposto programador informático. Dias depois escrevem a dizer que se encontram a caminho de portugal para o ver. Falam da possibilidade de suicidio.
Dias depois recebo uma mensagem no telemóvel a dizer que a tal médica o tinha visto atirar-se da ponte.
Fiquei azul. Por mais ódio que nutria por ele, não o queria morto mas sim longe e tratado para não infernizar a vida a mais ninguém. No dia seguinte corri os telejornais e nada diziam. Achei estranho pois caso tivesse caido ao rio o corpo dele teria ficado preso nas comportas que uma segunda ponte mais à frente e nada...não havia noticia. Só podia ser mentira.
Na escola, estavamos todos alarmados e desconfiados ao mesmo tempo. Uma semana depois ele aparece na escola, fulo, olhos carregados cheios de raiva por nós não termos chorado a sua suposta morte, por não termos telefonado..sei lá...Ele queria atenção.
Ele foi e ainda deve ser um sociopata. Controlador, Obsessivo. Doentio. ...
Toda a gente soube quem ele era e do que era capaz, nenhuma de nós se dá com ele. Foi um tempo muito difícil para mim.
De Anónimo a 10 de Abril de 2012 às 19:04
Cara Maria João Costa,
antes de qualquer consideração a fazer, deixe-me que a congratule pela excelente ideia e, acima de tudo, por pô-la em prática, coisa que em Portugal não se faz muito ficando-se muitos bons projectos pela base da teoria.
De facto, penso que consegue marcar a diferença e ajudar todas estas pessoas que passam por estas difíceis situações. É de louvar o seu trabalho e a sua dedicação a esta luta.
Não passei por situações destas, mas tenho conhecimento de familiares e amigos que viveram dias muito complicados, o que me marcou bastante e me alertou para a realidade do mundo em que vivemos.
Por isso, foi me proposto na disciplina de criminologia do curso que frequento abordar temas assim tão marcantes e patentes na sociedade.
Escolhi o Stalking. E essa escolha foi exactamente por várias razões que acima referi, mas acima de tudo pelo que tão bem a senhora diz no cabeçalho, a título de chamada de atenção: porque é preciso uma consciencialização para se conseguir criar leis, a protecção mais firme para cada cidadão!
Estou no curso de Direito e nada melhor do que lutar para que a minha área fique mais completa e protectora das inocentes vitimas.
Ao longo de toda a pesquisa intensiva que tenho vindo a realizar, cada vez mais me surpreendo com os relatos e a cada segundo tenho mais certeza de que escolhi um verdadeiro tema que tem que ser muito dado a conhecer para se fazer Justiça!
Espero poder contribuir de certa forma e ser mais uma pequena gota para se conseguir constituir um oceano de força e determinado a inundar o parlamento de consciência e sensibilidade por estes tão importantes assuntos.
Uma vez mais, as minhas congratulações,
Carla Ribeiro
De Vítimas de Stalking a 12 de Abril de 2012 às 01:50
Carla, obrigada pelo seu comentário. Fico muito contente quando recebo mensagens como a sua. Significam que se esta geração não resolver o problema, talvez a sua o consiga fazer. :)
MJ

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