Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

A história de Sofia

"Se o denuncio ele volta a perseguir-me? Se me defendo ele volta a atacar? Estas são  dúvidas que assaltam todas as vítimas. Já se passaram 30 meses desde que deixei a casa onde vivia com P. e apenas 6 meses desde a última vez que ele me atacou de forma pública. O ataque foi subtil, um insulto sem referência ao meu nome numa crónica de jornal, mas para lembrar que se acha com poder para atormentar. Felizmente já não atormenta, apenas indigna. Se ler este texto e se se identificar, pode voltar. Vivi 3 anos com P., uma relação conturbada e marcada por grande violência psicológica e em que P. se dedicava a tentar destruir a minha auto-estima, a humilhar-me e a chantagear-me, controlando, com grandes requintes de malvadez, todas as minhas actividades quotidianas e relações pessoais. Quando, finalmente, me separei e pensei que me tinha visto livre do meu agressor, começou toda uma nova série de actos de perseguição. O primeiro mês foi de um reconfortante silêncio para logo depois começarem as mensagens e as chamadas anónimas para o telemóvel. Os sms chegavam carregados de insultos e de uma agressividade que me era já familiar. O seu conteúdo, vim a perceber mais tarde, não diferia dos clichets arremetidos por muitos homens que se sentem despeitados e que perderam o poder que tinham sobre a sua vítima: acusações de falta de carácter, de honestidade e de princípios morais, projecções dos seus problemas psicológicos em mim, acusações infames, etc. Não sendo isto novo para mim, era agora lido com maior distância, permitindo-me ver claramente o grau de absurda violência a que tinha estado sujeita durante 3 anos. Nunca nenhum sms ou e-mail teve resposta minha, no entanto, não paravam de chegar, com cada vez maior agressividade.  Pouco depois, talvez por não suportar o meu silêncio, passou das ameaças à acção: falou com pessoas que me costumavam dar trabalho com regularidade, acusando-me de falta de seriedade com dinheiros e de incompetência profissional. Sobre uma delas chegou a exercer chantagem, verbalmente e por escrito, por mais de uma vez, ameaçando cortar a relação profissional e não honrar os compromissos que ele próprio tinha com a empresa em que ela trabalhava, se ela mantivesse qualquer tipo de contacto pessoal ou profissional comigo. Poderia continuar longas páginas de descrições terríveis, mas deixo apenas este pequeno testemunho como exemplo de como alguém pode entrar violentamente nas nossas vidas e perseguir-nos, atacando-nos publica e privadamente, quer no plano pessoal, quer no profissional."
publicado por Vítimas de Stalking às 19:52
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3 comentários:
De Vera Gomes a 4 de Janeiro de 2012 às 19:16
Olá!

Dia 21 de Fevereiro faz 10 anos que me divorciei. Na altura violência doméstica apesar de ser crime público e numa pequena vila como a que eu habitava, era para ficar entre marido e mulher. Verdade seja dita, nunca tive uma única nódoa negra. Mas não conseguia ir ao supermercado sem ser acompanhada pessoal ou telefonicamente, a factura detalhada do telemovel tinha que ser explicada, o tempo que passada na internet era controlado, só falava na rua com quem me era permitido. A manipulação, o insultar-me, o tratar-me mal verbalmente era uma constante. Deixei de ser pessoa para ser uma coisa. Nas ultimas semanas em que vivi debaixo do mesmo tecto, era tirada da cama pelos cabelos e posta na rua, em pijama, descalça e tinha que implorar para entrar. Quando sai de casa, acompanhada por 3 GNR e depois de pensar que iria morrer porque... ele queria atirar-me da varanda porque segundo ele "se não és para mim não és para mais ninguém", voltei a casa dos meus pais. Claro que numa terra pequena e preconceituosa a culpa é sempre da mulher. Demorei 3h a que aceitassem queixa na GNR porque diziam-me eles "ó menina, é amor". Mas não: amor não é retirarem-nos a nossa alma e ser. Nos meses e anos seguintes, ele esperava por mim em frente ao meu local de trabalho em datas que tinham algum significado para nós. Até uma amante dele me procurou no trabalho, porque ele obviamente voltou a repetir o comportamento com outras pessoas. Claro que eu sempre fui a má da fita, mesmo para os advogados dele, e ele o bonzinho que foi magoado por uma mulher.
Depois... fugi para longe, recomecei do zero, fiz terapia e tornei-me na pessoa que sempre fui, mas mais forte. Há uns meses ele tentou contactar-me: tive um ataque de pânico. Foi preciso amigos virem dormir a minha casa para me acalmarem e porque não conseguia estar sozinha. Era como que se o meu maior pesadelo se tornasse realidade: ele me encontrasse e me fizesse reviver tudo novamente! Apesar de tudo o que já fiz, de todo o tempo que passou, continua a ser a pessoa que tenho medo: medo que me encontre, que me persiga, que me magoe. Na alma. Não no corpo. Porque as nódoas negras curam-se. As feridas na alma ficam sempre abertas.
De Vítimas de Stalking a 4 de Janeiro de 2012 às 23:43
Olá. Fiquei muito impressionada com o seu texto. Q situação horrível! Gostava de falar consigo. Acha q me pode deixar o seu email? Mjoaocosta@hotmail.com
De Anónimo a 6 de Fevereiro de 2012 às 17:47
Olá a todos,
tambem sou vitima disso, estou casada a 12 anos e tenho 3 filhos, não tenho a quem recorrer, pois sou sozinha neste mundo cruel e vejo-me obrigada a aguentar por ELES que são o motivo da minha vida.
Já pensei por muitas vezes pôr termo á vida, mas quando o quero fazer não tenho coragem.
Ele tambem é um lobo vestido de cordeiro, muito trabalhador, atenciososo com os filhos, mas comigo é diferente, só exige de mim, trabalho para ele, e quando algo corre mal sou rebaixada de tudo, desde incopetente, burra, ignorante, entre outras palavras que agora não me ocorrem. Mas no entanto não me liberta para que eu possa trabalhar para por conta de outrem. Já falei por várias vezes em divórcio e quando eu falo esta palavra saem agressões não só psicologicas como fisicas, a ultima vez foi no inicio do ano na presença do meu sogro e do meu filho, arrastou-me, empurro-me, esmurro-me e eu continuo aqui desde á 12 anos a levar porrada fisica e psicologica.
Só peço a Deus que continue a dar-me forças para aguentar.
Desculpem o meu desabafo, tenho muitas cenas para contar, mas o tempo é curto e a minha vida já dava um livro de drama e terror.

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