Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

A história de Ana

"Ola sou casada há 10 anos com uma pessoa de cultura diferente e compreendo bem quando diz violência verbal, pressão psicológica. Anulei-me totalmente emagreci tornei me um bicho que gosta de estar isolada, por vezes ha contacto fisico mas nunca para deixar marcas, puxões de cabelo, insultos, cadeiras a voar, copos partidos, ameaças de me que me tira os filhos. Cheguei a pensar que o erro era meu, que eu era a culpada mas hoje vejo que não é assim. A culpa não é minha a verdade é que não tenho coragem de o deixar, eu gosto dele e ele nem sempre é assim, parece que por vezes veste a pele de lobo outro de cordeiro. Infelizmente dependo dele financeiramente, e de momento sinto me tão fraca tao farta de lutar que não quero passar por uma batalha. Vou acreditar que segundo algumas pessoas me dizem com a idade ele muda..........o problema é se eu quero esperar para ser feliz, de facto é de elogiar todas as mulheres que têm coragem para dar o passo, eu actualmente ainda não consigo, pois não tenho ninguém a quem recorrer não tenho familia a quem possa pedir abrigo e protecção. O meu desejo é de facto acordar pois sinto me adormecida e lutar por quem eu sou. Obrigada por lerem o meu testemunho"
publicado por Vítimas de Stalking às 16:37
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5 comentários:
De Paulo Nóbrega a 6 de Janeiro de 2012 às 17:24
Ter de errar para viver

Todos nós que vivemos, sabemos que nada é perfeito e que apenas poderemos chegar perto da perfeição, errando e aprendendo com os erros. Mas o que muita gente não sabe distinguir é que existe dois tipos de erros.

1º O errar por não saber que tipo de caminho percorrer, aprender com a situação mas martirizar-se por não saber o porquê que aquilo aconteceu;

2º O errar por não saber que tipo de caminho percorrer, aprender com a situação por mais difícil que seja e ter noção que mesmo havendo sofrimento, esta situação de crise serviu para algo, nem que seja para crescer interiormente.

Possivelmente neste segundo ponto, poderão me chamar masoquista, pois pessoalmente é lá que estou. Já me aconteceram coisas que digo, reprováveis, mas como acredito que tudo o que acontece nas nossas vidas (e aqui muitos poderão me achar errado), tem um objectivo formado, temos que por muito difícil que seja analisa-las, e tentar aprender e crescer com elas, pois abrem-nos os olhos para realidades escondidas para com o tipo de vida que vivíamos antes.

Muitas vezes temos um objectivo de vida, mas naquele preciso momento, não o podemos realizar, porque temos de passar por situações para criarmos defesas ou armas para no futuro conseguirmos levar para a frente o objectivo atrás referido.

Posso dizer que antes tinha medo das possíveis situações que poderia viver, pessoas que possivelmente iam me fazer pensar de diferentes formas, me poderiam tentar mudar, mas… nada melhor que sermos fiéis a nós próprios, àquilo que acreditamos, sentimos e traçamos dia a dia com os nossos anjos da guarda ao lado. Que ninguém tenha medo de viver, pois “ Enquanto sentir dor, sei que vivo e que sou alguém quem sente, que ama e que usa o coração”. Paulo Nóbrega
De Vera Gomes a 7 de Janeiro de 2012 às 20:22
Paulo,

peço desculpa pela minha questão, mas penso que não percebi muito bem o seu comentário e tenho receio de ter ficado com a ideia errada.
Eu acredito que tudo o que nos acontece serve para crescermos e que se aprende mais com os erros do que com as vitórias. Mas confesso que ao ler o seu post fiquei com uma certa sensação de resignação da sua parte, mesmo a uma situação que não seja propriamente a mais... correcta. Eu sei bem que por vezes falta coragem ou condições para darmos o passo em frente e atingirmos objectivos ou situações mais desejáveis. Mas também acredito que devemos ter a humildade para pedir ajuda. E que pedir ajuda não é de forma alguma vergonha! Embora muitas vezes a vergonha nos faça viver situações... complicadas. E acima de tudo, não nos devemos culpar por comportamentos desviantes de outros.

E Paulo, obrigada por ter comentado. O Blog não é meu, mas segui-o há alguns dias e é bom saber que existem homens bons : )

VG
De Paulo Nóbrega a 9 de Janeiro de 2012 às 09:58
Viva

"..., eu gosto dele e ele nem sempre é assim, parece que por vezes veste a pele de lobo outro de cordeiro...". Este caso parece mais um dos tais "quanto mais me bates mais gosto de ti", e merece especial atenção pois, vemos uma pessoa que é dona de si própria, que por causa de outra, anula-se e cada vez menos gosta de si. Ninguem tem o direito de frustrar, alienar e fornecer violencia psicológica e muito menos física. Existem milhares de homens no mundo, tanta variedade de personalidades à escolha. É certo que nem todos nos somos compatíveis, mas lá está, é por isso que existe a fase do conhecimento da altura do namoro. Sinceramente, para ter esse tipo de problemas, mais vale se divorciar e ficar só.

O maior problema que vejo nesta situação são os filhos, que não tinham nem têm a necessidade de viver numa família problemática e violenta. Para uma uma criança, o mundo dos sentidos existe a 200%, e o que eles assimilam é algo de extraordinário pois é algo que os marcará para toda a vida e os definirá como pessoas. Crescerão a pensar que este tipo de violência é normal, crescerão a pensar que uma mulher é algo de secundário e sem opinião própria, quando é justamente ao contrário. Voces mulheres são o que de melhor existe no mundo.

Nenhum juiz deixará crianças com um pai violento e o que deverá fazer, se é que já não foi feito, é, primeiro um emprego, depois um aluguer de espaço próprio com condições condignas para a educação de crianças. Se não tem emprego, o governo por meio de rendimento mínimo e abono, ajuda no que for preciso.

Pergunto uma coisa, é mesmo isso que quer para a sua vida? Quer um companheiro que lhe trate mal, que lhe bata, e partilhe as frustrações diárias consigo e com os seu filhos? Um casamento é algo maravilhoso e é justamente ao contrário, marido e mulher complementam-se, são suas almas gemeas que no meio de tanto amor, criam filhotes que os acompanharão numa vida cheia e saudável. Nunca desista de amar e de querer ser amada porque é algo que nos define como verdadeiros seres humanos.

Tem de aprender a gostar mais de si própria, porque tem algo muito valioso, os seus filhos, que merecem acima de tudo e de todos uma vida estável e completa, cheia de amor, carinho e compreenção.

De Vítimas de Stalking a 8 de Janeiro de 2012 às 03:38
Olá Ana. Queria dizer-lhe algumas coisas importantes:
- nada justifica que alguém violente outra pessoa, nem sequer as diferenças culturais
- uma pessoa violenta, nunca o vai deixar de ser, logo, não pense que um dia ele vai mudar, porque isso não vai acontecer
- você diz que gosta dele, mas provavelmente tem uma visão distorcida da realidade. Não se esqueça que esse homem lhe faz mal, e que nós não podemos gostar verdadeiramente de alguém que nos maltrate
- não se esqueça que você tem direito a ser feliz! Não desista disso
- você não está sozinha. Pode recorrer à APAV (www.apav.pt), que ajuda inúmeras mulheres na sua situação, mesmo aquelas que não são independentes financeiramente
- quanto às ameaças que o seu marido lhe faz sobre retirar-lhe os filhos, não se esqueça que se você tiver como provar que é vítima de violencia domestica, nenhum juiz lhe vai tirar os filhos, muito pelo contrário
- por último, e não menos importante, não desista de si, nem desista de ser livre ou feliz. A força aparece quando menos se espera
De Anónima a 17 de Junho de 2012 às 03:00
Boa noite.

As situações de violência doméstica são de uma complexidade que deixam as vítimas perplexas perante tanta inércia judicial. Falo por mim, que me encontro há 3 anos à espera que o meu agressor seja constituído arguido, apesar de eu ter o estatuto de vítima desde a queixa inicial. Tenho testemunhas de queixas de deixar qualquer um de queixo caído, com inúmeras ameaças de morte e destruição de propriedade pessoal e, constantemente, stalking.

O meu processo, como o de tantas outras mulheres, encontra-se eternamente à espera e entretanto tive a sorte de poder mudar de casa. Não consigo sequer imaginar como será a vida das pessoas que, não tendo a disponibilidade financeira para mudar de casa, e receando pela vida dos filhos, se vejam obrigadas a permanecer com os seus agressores. Compreendo que nessas alturas a estratégia psicológica seja esperar pelas vezes em que vestem a pele de cordeiro para poderem ter pequenos "balões de oxigénio" no meio do terror em que vivem.

Sinceramente, não sei qual a melhor decisão nem a mais corajosa: se fugir como eu fugi, arriscando-me a ser penalizada num processo de responsabilidades parentais que não cruza com os processos crime; ou se ficar, sacrificando-se a uma meia-vida na esperança de assim conseguir proteger os filhos do agressor.

O problema desta alternativa, a de ficar, é que a mensagem que passamos aos nossos filhos é a de que a violência é "normal" e aceitável. E a crescer num cenário destes, a probabilidade de eles próprios se tornarem abusadores ou vítimas aumenta exponencialmente.

E só quem passa por estas situações sabe o terror em que vive, não só do que já aconteceu e acontece, como o pânico de pensar no que pode acontecer quando se lida com este tipo de personalidades psicopatas.

Espero que tudo corra pelo melhor para a Ana, para mim e para todas as outras mulheres que, como nós, um dia caíram na desgraça de olharem para estes homens e não terem percebido que a pele de cordeiro era apenas o disfarce do lobo.

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