Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Um testemunho que acabou de me ser deixado, depois de ter estado no programa da Fátima Lopes

Aos meus 15 anos comecei um relacionamento com um rapaz que parecia ser tudo de bom que uma adolescente pode desejar: querido, preocupado, carinhoso... A relação durou 3 anos. O primeiro ano foi bom, nenhum problema... Enfim a típica cega paixão e tudo o que envolve conhecer o estar e a personalidade do outro, tudo novo! Ao fim do primeiro ano, veio uma ou duas traições da parte dele. E ele começou a privar-me sempre de forma indirecta (através de amuos e discussões) de estar com as minhas amigas, de falar com os meus colegas e até com as minhas colegas de turma. Situações como estar sempre a minha espera a porta da sala era um acto querido mascarado, pois quando eu o questionava se ele não podia ir ter comigo ao bar onde iria estar com a minha turma ou com as minhas amigas era logo aso a discussão. Até se questionasse o contrario, ou seja, ir eu ter com ele a sua sala, era logo alvo de bocas como: 'pois queres é ir ver rapazes.'. Nos intervalos, eu tinha de estar sempre junto a ele, não podia falar com ninguém a não ser com uma amiga minha que namorava com o melhor amigo dele.  Melhor amigo esse que eu não podia sequer olhar que era logo um bilhete de viagem para uma discussão que durava o resto do dia ou seguintes dias. Até um simples lanche em casa de uma amiga minha era um drama, pois dava logo direito a uma discussão porque eu ia estar com as minhas amigas e não com ele, mesmo por vezes tendo passado o dia inteiro com ele.  Se fosse dar um passeio com as minhas amigas pela cidade, acontecia vê-lo a perseguir-nos!  Sair à noite? Nunca poderia isso acontecer! Só comecei realmente a sair a noite, ir até um barzinho que fosse quando fui para a faculdade, ou seja, para uma cidade diferente. Ao segundo ano de namoro, tive de acabar a relação pois chegou a um ponto que num discurso normal de dia-a-dia se houvesse uma palavra/expressão/frase, que tivesse um significado positivo e outro negativo, mesmo eu estando a falar de forma positiva ele implicava que não que eu estava a dizer o contrário e discutia comigo em plena rua a frente de quem quer que fosse. Até o simples facto de nos agradecimentos de um trabalho de grupo ter sido colocado o nome de dois rapazes que nos ajudaram na elaboração do mesmo, foi desculpa para ele me agarrar a força pelo braço no meio da rua e discutir comigo de tal modo na rua que um grupo de homens que estava a acabar de almoçar no restaurante perto de onde estávamos saiu e colocou-se perto do carro dele (onde nos encontrávamos) para se certificarem que ele nada me fazia pois estávamos a discutir e eu a chorar compulsivamente. Nesse mesmo dia, depois de me ter feito tal coisa apareceu no local onde eu estava a expor o meu trabalho com uma prenda como se isso fosse apagar as marcas do que acontecera... Mas depois de tomada essa decisão, todos os dias o meu telemóvel não parava de tocar, ora eram chamadas ora eram mensagens. Se atendia o telemóvel vencida pela persistência escutava do outro lado chantagens emocionais. Como a decisão de acabar com a relação foi numas férias de Verão, consegui manter-me distante dele durante algum tempo. Porém, quando começaram as aulas ele fazia-me marcação serrada a porta da sala e se eu recusava estar com ele ou conversar com ele, este não hesitava em gritar comigo a frente de toda a gente. Não tive outra solução se não voltar para ele e aguentar até ir para um cidade distante onde ele não soubesse onde morava ou estudava e não fosse fácil encontrar-me. Passou-se um ano e mal entrei na faculdade acabei com ele, desta vez definitivamente. Começou um outro pesadelo. Durante 6 intermináveis meses, ele ligou-me todos os dias e mandou-me mensagens todos os dias a fazer-me chantagem psicológica a dizer que se ia matar e que não conseguia continuar sem eu estar com ele, entre outros pedidos de explicação de porque é que eu acabei com ele. Formaram-se, como disseram no programa, dois grupos os que acreditavam nele e que me achavam uma reles e fútil, uma vez que ele andou a espalhar por a pequena terra em que vivia que eu tinha acabado com ele para ir sair com muitos rapazes na cidade para onde fui estudar. E outro grupo, o grupo das pessoas que me conhecem desde sempre e me acompanharam depois da separação e viram a pressão psicológica que eu estava sujeita e souberam todos os pormenores do que passei durante 3 anos. Porém, tinha de voltar a pequena cidade para visitar a minha família e quando isso acontecia para onde fosse ele dava um jeito de estar lá, só não o fazia se algum amigo em comum que acreditava na minha versão o conseguia dissuadir de ir atrás de mim. Infelizmente, até ao ano passado, em qualquer local em que estivéssemos os dois presentes, mesmo que houvesse um espaço enorme e não fosse preciso andar aos encontrões ele fazia questão de passar rente a mim e me dar encontrões. Eu nunca respondi a nenhum tipo de provocação, seja algo que ele dissesse ou fizesse. Até ao dia em que ele me empurrou de tal maneira que ia caindo mesmo, nesse momento disse-lhe para ele tomar um pouco mais de atenção por onde passava, sempre com tom calmo. Porém ele começou a gritar comigo e a 'encher-se' parecia que me ia bater... Tive de sair do local com uma amiga para as coisas não piorarem, mas mesmo assim ele veio à minha procura e volta e meia voltava a verificar se eu estava no mesmo sítio.  Mas ainda a semana passada, passámos de carro um pelo o outro e mesmo ele indo para um sítio diferente do meu destino fez questão de ir verificar para onde eu ia apanhando-me numa estrada mais a frente... Explicitei algumas situações que aconteceram ainda quando estava na relação para as pessoas perceberem que a evidências estão lá nós é que não as queremos ver e perdoamos... Mas as pessoas não mudam! Ou melhor mudam sim... mas para PIOR! Peço desculpa pelo tamanho do texto mas foram tantas as coisas que me aconteceram que não dá como seleccionar só uma ou duas coisas. Espero ajudar alguém com este relato.
publicado por Vítimas de Stalking às 18:43
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